quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

As paredes do meu quarto não gostam de mim



A luz do candeeiro recusa-se a acender.
Levanto-me procuro o interruptor perto da porta.

Não há porta.

As paredes são lisas,
                                escuras,
                                             frias.

As janelas são agora tijolo coberto de cimento e tinta branca.

Pelo menos a sua textura assemelha-se ao resto dos quatro limites que me mantêm dentro do quarto.
Não vejo nada mas quero sair, seja para onde for.

Quero sair.
Fugir.
Seja para onde for.
Seja com quem for.
Seja como for.

Só quero destruir estas paredes que me prendem dentro de mim e cuspir no mundo este ardor interior.

Só quero ser.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sobre a Ânsia de Continuar




Os teus pés descalços estão tão frios que não sentem o chão molhado.


Não sabes de onde vieste nem para onde vais...



A sombra engole os teus passos.



Sentes o frio a aproximar-se dos teus joelhos.










Não tarda sentirás o sabor da água que te banha os pés nus.

domingo, 25 de novembro de 2012

E é desta forma que expresso a minha revolta quase interior, quase física, quase intelectual, no meio de toda esta pseudo-filosofia barata. Não me considero escritor. Não me considero poeta. Não me considero sequer digno de incutir qualquer opinião nas mentes dos inocentes leitores deste texto horrível. A verdade é que não a sei. Frase usada por mim exageradamente em todo o contexto que mexe. O mundo revela em mim uma tristeza quase muda. Primeiro descarrega uma quantidade um tanto ou quanto absurda de princípios que somos obrigados a seguir, mesmo involuntariamente. Princípios que serão violados à medida que a idade avança. A pouco e pouco, vamos descobrindo que, afinal, não são todos iguais! Aquilo que consideramos verdade não o é para toda a gente. Vejo mulheres de cabeça tapada na televisão e acho incompreensível tal tradição. Mais uma vez, a verdade e o que é certo ou errado é diferente de pessoa para pessoa e não há volta a dar.  Vai dos pequenos ao grandes pormenores, de pessoa única à pessoa com um todo, uma sociedade. E somos todos loucos porque seguimos um louco que julga ter razão. Somos loucos porque seguimos sozinhos o que acreditamos ser o mais certo. Somos loucos por viver ou deixar de viver. Eu sou um louco indignado, talvez confuso. Mas a verdade anda por aí às voltas, eventualmente, acabamos todos por descobrir que o mundo não é um mar de rosas e que não temos que seguir ninguém. A verdade é que não a sei. É tudo tão mais indistinto na cama de um quarto vazio.

sábado, 3 de novembro de 2012

Somos todos especiais, não somos? Nas nossas camas, nos nossos quartos, no banho, nas notas de uma música que nos hipnotiza. "Somos todos filósofos", li eu num sítio qualquer numa página qualquer na internet. E à luz das velas saem as palavras que nos prometem ser únicos e nos fazem o centro do Universo. "Pensa por ti", "não sigas os exemplos dos outros", "Pensa sempre em ti primeiro". O altruísmo não existe. Nem sequer o conhecimento é honesto. Os professores ensinam o que outros lhes ensinaram há algum tempo atrás. O "conhecimento" é hereditário e segue as gerações desde o tempo em que não havia conhecimento. Por isso é que pedir a verdade por uma única vez que seja já me parece demasiado.

Até a luz me parece uma grande mentira para nos impedir de saber que lá fora apenas há escuridão.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O rapaz e os espelhos

Não.. Pára!
O corpo geme no espaço entre a cama e a parede.
E vai subindo a garganta tal verme que se alimenta de carne.
Os joelhos encostados ao queixo.
Os olhos fechados como se alguém os pudesse tentar abrir à força a qualquer momento.
Os dentes cravados num cinto qualquer tirado de uma gaveta empoeirada.
Leva-o...
Leva-o e não voltes.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O ar entra mas parece não descer a garganta. Procuro uma razão para que a manhã chegue depressa, não encontro. Passo os dias a desejar os prolongar das horas para não me sentir a acordar no mesmo quarto de sempre, na mesma cama de sempre, com o mesmo sentimento de sempre. Noite, não acabes, não faças as horas passar como se segundos se tratassem. Não gosto da cor dos meus lençóis. São tecidos num tom escuro de branco que dificulta a respiração, se calhar é por isso que me custa adormecer. Preso num nó conjugado pelo tempo e pelos olhos de alguém magoado, ficou lá atrás, adormecido, quem sabe nos mesmos lençóis que na altura tingiam uma cor diferente.

Preso num nó conjugado pelo tempo e pelos olhos de alguém magoado, ficou lá atrás, adormecido, quem sabe talvez mais do que isso...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

É só mais um dia
Não vale a pena todo este pensar
toda esta agonia
De querer tanto que dói
lutar e por mais que tente
não há quem aguente.

E quando o sol se põe
Mais uma noite que nos espera
sem um abraço,
sem o teu corpo quente

Se a manhã assim o quiser
não haverá nevoeiro
nem sequer uma nuvem
e haverá alguém
que esteja sozinho também.

O seu abraço será forte.
E nada mais importa.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Prematura


Os meu dias não são feitos de segundos e minutos. O meu planeta não gira em torno de si mesmo e nem o sol se vê a pairar no céu. As estrelas não formam figuras estranhas e não se confundem com pirilampos presos por fios invisíveis. O meu mundo não tem árvores verdes e não há ninguém para regar a relva por nascer. Na minha casa não há divisões e nem sequer eu vivo nela. O meu carro não serve para andar nas estradas que não foram construídas. Não há guerra e não há paz. A verdade e a mentira não fazem sentido. O amor morreu faz demasiado tempo.

Pesasse o vazio do coração tanto como o vazio da mente e não estaria eu enterrado nas areias de um mundo onde nem sequer eu existo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Há noites em que não há mais nada a fazer. Deitas-te na cama pensativo, abres o computador e espreitas as novidades dos teus amigos no facebook. Vês as festas e as fotos de pessoas felizes nos seus grupos. Não acredito que isso transmita o seu verdadeiro estado de alma. Quem me dera que as fotografias nos sugassem a alma como alguns mitos dizem. Queria ver o verdadeiro eu. Espelhos, esses sim, mostram as lágrimas de noites inacabadas e caras por lavar. E não vale a pena continuar a pensar. Isso é insistir no teu fim e num caminho mais próximo de espelhos que de máquinas fotográficas. E eu quero a verdade, toda a verdade, mesmo que ela doa. Fico dividido. Fico perdido entre a janela e a cama. Encosto-me à parede. Apoio-me nos olhos cobertos pelas palmas das mãos. Inspiro. Deito-me. Não há mais nada a fazer. Preciso da verdade e de alguém que me leve para longe dela, só não me deixem no limbo, onde deixa de haver luz e o vento não chega. Há noites assim, em que só nos resta ir dormir e esperar que os sonhos não sejam memórias distorcidas pelo desejo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nascer do sol a altas horas da noite

Os primeiros raios de luz trazem sabor a água salgada
Mas já o tempo levou todo o sal por sentir
E era eu a ser olhado por estranhos
Só vêem para fora
Ignoram o que há por dentro.

E no meu toque fica tanto por dizer
Não me deixam explicar
Não querem saber.

Queria eu ser um louco.
Não é vida mas assim o é
Quando dás por ti
Já nadas em águas sem pé.

Deixa os teus lábios aproximarem-se do meu ouvido.
Dá-me só uma razão para não deixar a lua morrer.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Levanta-se o medo, baixas a mão. A minha pressa deixou de o ser. Ainda o tempo não tinha passado para eu saber que já não queria mais. Não sou eu que mando e a minha vontade não é satisfeita de forma proporcional às minhas necessidades. Quero fugir. Não sei bem do quê nem para onde. É algo que já dura há demasiado e com o qual não me consigo debater. É intrínseco em mim, uma batalha que já perdi sem sequer começar. As horas, o tempo... Que se foda o tempo! Não me conheço e já não sei se acredito nas minhas palavras. Fosse eu a areia da ampulheta que te conta os dias.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Aí vem a raiva,
Queres esconder a cara com os punhos fechados.
Não vês nada para frente e vês tudo para trás.
O passado a querer furar, matar.
Quer dar-te um motivo,
Seja ele qual for.
E depois vem a calma,
Pequenas lágrimas do que um dia foi.
Dás voltas na cama, dói,
E elas são o teu único alívio. 
É só o passar de mais uma noite.
O renascer é lento.
O dia vem e invade o teu quarto,
E tu só queres é fechar os olhos.

domingo, 15 de julho de 2012

Constelações de Vidro

É simples. É complicado. Seja o que for, é sempre com o sabor a uma cama vazia. É no escuro que tudo se vê e nada acontece. Já alguém dizia que outro alguém não sabe estar sozinho. A verdade é que ninguém sabe, e quando chega a noite todos se agarram à almofada que se revela tão desconfortável como um chão de pedra dura e fria. Ainda me lembro da música ser cura mas agora já não sei se alivia ou se faz doer ainda mais.E já era eu sonho quando abro os olhos e vejo que o sol já cruzou o horizonte mais uma vez.
Fossem minhas as estrelas e podia ser feliz.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Às vezes gostava de ser nuvem

Não sabes. Olhas para o tecto durante mais uns minutos. Tudo igual. Existe algo de inquietante que não te deixa dormir. Não sabes bem o que é mas sabes que a saudade torna tudo pior quando se está longe e tudo melhor quando se está perto. Já os ponteiros das horas e dos minutos se sobrepõem outra vez e tu ainda não fechaste os olhos. Lês mais meia dúzia de páginas, apagas a luz e voltas a olhar o tecto. Não vês nada porque apagaste a luz mas vês o mesmo do que se ela estivesse acesa. Aceitas o facto de que dormir, hoje, não vai ser tarefa fácil e de que amanhã tens um dia longo que, provavelmente, só acaba no outro. Acendes a luz mais uma vez. Não sabes, não sentes, não vês e isso faz um pouco de ti morrer. Dói-te o coração. Amanhã vai doer menos porque esta noite já passou e não volta. Só queres ver o tempo voar.
Mais uma noite.
Paciência.

Abraço a almofada no vermelho da minha cama.
Porque há-de passar o tempo ou tão depressa ou tão devagar?

terça-feira, 3 de julho de 2012

Gumes afiados cortam mais fundo,
não há sangue...

Encontrei um lugar gélido no quarto onde habito.
A pulsação sobe mas o coração estagna.
Quieto, geme.

Sobe-me à boca enquanto me cai aos pés.
Se ao menos a loucura não fosse passageira.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Há Dias Assim #2

Como é que se sente saudades de alguém que ainda não foi embora? Eu sinto a falta de tantas pessoas que apenas se afastaram e deixaram de fazer parte do meu dia a dia. Mas agora é diferente. Sabes que o tempo caminha cada vez mais rápido para o dia em que isso acontece. Aí sim, vais ter saudades. Então o que é isto? As vozes dizem-me para aproveitar, mas nunca vai ser suficiente. Vai ficar sempre algo por dizer, algo por fazer. No fim, tudo se resumirá num obrigado. Pelas memórias e pelas armas que levo para o futuro. Vamos ficar bem...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Lá fora tudo é a preto e branco

É como se a janela não fosse mais do que isso mesmo
e os dias não fossem a minha noite
e a chuva não fosse o meu sol
e o amor a minha cruz.

Como se a fuga não fosse certa
e a morte não fosse descoberta
e como se contigo fosse mais
e sozinhos somos iguais.

Como se a solidão me desse a mão
e todo o escuro uma lição.

Como se a vida fosse passado
e viver só mais um fardo
e como se conseguíssemos ver
que lá fora andamos de olhos fechados.

Como se as palavras não chegassem
e o ódio fosse a relva,
o sentimento a prisão
e a liberdade pisada como pisamos o chão.

Como se a loucura fosse sã
e a sanidade loucura
o medo não fosse coragem
e a dor uma mensagem.

Como se eu quisesse
como toda a gente quer.
Não seria eu
como outro qualquer?






sábado, 9 de junho de 2012

Que necessidade é essa de esconder a verdade?
Os passos que já percorri assombram aqueles por percorrer,
tal como sonho da noite passada:
num dia sentimos, no outro somos nada.
E ainda alimento o ser que há em mim.

Em vão, tentei.
Mas o sangue já começa a secar no chão do quarto.
E eis o momento de desferir mais um golpe!
Numa harmonia de escuridão e dor,
ferimentos auto infligidos que me trazem de volta a ti,
um mundo cinzento quando o que procuro é alguma cor.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Contra-tempo,
estas asas são duras de roer.
Quem muito procura,
com pouco dá tudo a perder.

Sentei-me na aceitação de um mal,
contigo era de esperar por mais,
era de querer uma vida que até para nós era fatal.

O sonho a sorrir tão perto,
mas já se fechou a cortina do teatro.
E tão desperto assim, era correr atrás daquilo de que fugia.
E tão perto assim, é matar a noite à luz do dia.

As conversas tardias perderam o teu sabor.
Volta, mas não tu, outro tu que não essa pessoa que nos deixou.
Volta, mas não tragas essa ausência, esse não estar enquanto me olhas.

Não comprometas a minha solidão,
há muito que sou o que resta de uma conversa inacabada.





segunda-feira, 28 de maio de 2012

Este é para os 20

E quando menos esperas surge aquele momento que te faz parar o pensamento. A saudade ataca como um corda que te impede a respiração. As lágrimas, por sua vez, deixam-te um sabor a sal na boca agora fechada, e com os dentes pressionados uns contra os outros, engoles a seco. As memórias não são mais que uma roleta de imagens e frases. Lembras-te do timbre das suas vozes. Lembras-te dos abraços e dos sorrisos. Lembras-te da partilha e das emoções. Estiveste lá, no melhor momento da tua vida. Apesar das saudades, são lágrimas que sabem bem e será sempre um nó que terei muito gosto em suportar. Por isso e por tudo aquilo que as palavras não conseguem explicar, um grande obrigado.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Guardo dentro de mim o coração de uma guitarra. Esse nunca há-de morrer. Dê por onde der, poderei até estar por baixo, até estar mesmo no fundo, mas ele não me vai deixar mal. Um misto de sentimentos materializam-se em arrepios que percorrem o corpo todo. Sinto a saliva a passar cada vez mais devagar  no nó que se está a formar em torno da garganta. Não há como fugir. Já me belisquei, não acordei. Visão turva.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Não irias compreender.
É mais que um olhar inútil.

Sirvo uma mente orfã.
Talvez mais tarde, uma vez de madrugada.
Sou descartável à visão do mundo.

Ainda procuro,
meio inseguro,
uma capa que me sirva.

Não sou um conceito vivo.
Saio da batalha meio ferido.
O amanhã há-de chegar.
Espero por ti.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Fecho-me.
As folhas castanho-velho repousam no chão da calçada.
A minha visão turva deturpa o sentido da tempestade.

Fingir.
Ressacar o futuro que ainda não passou.
Sou o vazio na cama que me recusei a fazer.

Talvez a chuva leve as folhas,
recusam deixar o frio da pedra molhada.
Talvez me aventure nos caminhos sedentos de sangue,
e me abra para descobrir quem nunca me abandonou.

sábado, 5 de maio de 2012

O meu corpo levantou-se mas eu dormia.
Os gestos automáticos,
o banho de olhos fechados,
a chegada síncrona com o autocarro.

Quanto menos penso, mais sonho.
Sonho acordado, roubado pelo tempo que me consome.

Não és tu.
Não é ninguém.
É toda a gente.
Sou eu e o mundo,
eu e uma humanidade em vias de extinção.

O meu quarto não tem janelas.
A minha casa não tem quartos.
Está tudo de pernas para o ar.

Quem sou eu?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ela promete liberdade.
Exibe-se à frente de lágrimas inseguras,
sorri levemente e espera...

Com certeza o caminho mais fácil.
O egoísmo, a saída.
Arrepios soltam a mente de tal pensamento,
até o rosto não ser mais que um cemitério de água salgada.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ausente


Os pulmões fecham.
Olhos centrados no infinito da parede branca.

Crime? Tortura?
É a teimosia em parar e olhar para os dois lados! 

Passado e futuro,
equilibrados na corda que os divide e a que chamamos presente.

As paredes sem portas, sem janelas, sem tecto.
Chuva incessante.
O calor que deixou de o ser.
Um corpo inanimado no chão do quarto.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Vejo uma nuvem demográfica no chão que piso.

Vejo amores falsos,
efémeros na sua essência.

Vejo partidas,
brincadeiras de mau gosto.

Tentativas banais.
Quererei eu ser assim?

Mais um na chuva,
Sem abrigo.
Sem sabor.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Vou escrever até me doerem as mãos
deixar de sentir os dedos
o frio dilacerante vindo da noite
os braços, as pernas, a cabeça
até não sentir de todo
pensamentos tão cortantes como estas lâminas que brotam do escuro.

É esta descarga de vida que me faz acordar de manhã
um suicídio lento
deixar quem sou fugir para as palavras
o espírito a abandonar o corpo com gemidos de sinceridade.

Quem controla as palavras é-me dono.
Mata-me todas as noites para me fazer renascer ao amanhecer.
Nunca pensei...
Estranho jeito de tentar ver para dentro.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Respiração inconstante.
Levanto os olhos e fico à espera.
Passa o sol, passa a lua.
Passam os putos já homens.
As horas a segundos do esquecimento.
Do abandono restaram só estas cinzas.
Amar é pecado.

Não respiro.
Se o tempo não o fosse sê-lo-ia outra coisa qualquer, mas pára-o!
Abusa antes que te consuma.
Um prazer demorado.
Querer... querer... querer...

Respiro.
O som do relógio de parede.
Amar.

domingo, 8 de abril de 2012

Ritual

Céu claro.
Olhar a lua uma última vez.
Entrar.
Subir as escadas pé ante pé.
Quarto, tirar o casaco.
Gravata, camisa, calças.
Lençóis.

Casa.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Uma cave com demasiado pó por limpar

Quero parar.
Não pensar, não respirar. 
Vou parar o mundo. 
Vou parar o tempo. 
Vou consumir todo o nada, 
todo o vácuo de sangue coagulado entre a espinha e a pele. 

Consumir-me. 

Deixar ver do que é capaz o espelho da cave suja de esqueletos,
outrora mal ditos, agora mudos.

quinta-feira, 22 de março de 2012

"Em mim tudo é maior"

E ver as estrelas de perto?
cabem na palma das mãos,
presas em fios de seda
tecidos por pirilampos.

Ser espaço,
mais rápido que a luz.
Ver a terra nascer,
colidir com todo o meu ser.

terça-feira, 20 de março de 2012

Águas de um afogamento lento

Sou um retrato pintado numa noite cobarde
Nasci sem entender bem o porquê nestas águas turvas.

Estar certo, estar errado,
sou o assassino de um caudal carente.
Fugiram as águas para terra firme,
Já nem sei para que lado é a foz.

Afogo-me nesta falta,
no sentimento ladrão de almas
nesta terra seca por um sol constante.

Desenhei-me sem cores,
sem tinta,
sem luz,
sem sequer sonhar.

Desenhei-me num mundo que não me quer,
não aceita a mudança nem os corações puros.
Não me aceita que lhe toque!
Não aceita a diferença nem a igualdade.

Crime, é viver.
Sonhar em ser nuvem e ter um céu só para nós.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Luzes de Inverno

Sinto a janela a fechar-se,
os ultimos raios de sol escapam-se por entre as persianas.

É como ficar a ver o mar até o dia cair.
Já estremecemos com a brisa da noite
mas persistimos mais um pouco,
enquanto a beleza nos agarra com gritos de solidão.

Eventualmente haverá um novo amanhecer,
voltaremos a sentarmo-nos na praia,
chamados por uma nova luz.

Eventualmente a noite vem,
é só mais um dia,
mais uma vida.


quinta-feira, 15 de março de 2012

Bem vindos ao mundo mudo.
Mudámos as cores de um jardim cinzento,
preso ao tempo, preso ao chão,
preso à mudança ténue entre as nuvens e o céu.

A minha sombra mostra o caminho.
As árvores choram a luz derramada pelo sol,
esculpido la no cimo dos prédios.
O sangue é o orvalho do nascer da noite.

Parámos e olhámos.
Vimos os segundos parados de um minuto impaciente,
ciumento.
Respirar fundo, acordar...

domingo, 11 de março de 2012

O teu cabelo embeleza os teus olhos penetrantes.
Tu não olhas,
tu fazes contrair todos os meus músculos e sentir-me pequenino, indefeso.
Olhar para ti é esquecer a própria existência,
encontrar um novo centro de gravidade quando os pés já não tocam o chão.


Sonho, é isso, és um sonho.
Díficil de alcançar, compreender,
mas misterioso de uma forma viciante,
linda.

És linda.

quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de Março

 Amanhã faço vinte anos. Neste momento estou sentado no sofá, cheguei há pouco do ensaio da banda. Estes dois anos foram os mais curtos e os mais longos que já vivi. Quantas vidas se vivem em dois anos? Olho para trás e a minha vida está virada do avesso. Não que tenha piorado ou melhorado, mas sinto-me outra pessoa. Daqui a vinte e uma horas e dezanove minutos, o algarismo um deixará de marcar o número das dezenas da minha idade. Tornei-me incerto. A pergunta que faço é: para onde vou agora? Pareço um rapazinho perdido no meio do bosque. Dúvidas, tantas dúvidas. Não consigo caminhar como quem pensa que sabe tudo. Perdi uma segurança que agora me é forçada. Eu já nem sei se quero saber a resposta à pergunta que acima referi. Cada dia é um dia. Às vezes olhar o sol que brilha no rio ao som de um cigarro não é assim tão banal quanto isso. As pedras da calçada tornam-se familiares, a casa perde as quatros paredes, torna-se tudo tão vulnerável. Olho as minhas mãos. Estão grandes, penso eu, mas já não me recordo do antigo tamanho delas. Vejo a barba por fazer mas já não me lembro como é não ter que a fazer. Vejo sapatilhas que não mais me servem, o meu quarto antigo cheio de livros que não me lembro de ler. Só vou fazer vinte anos, eu sei, mas sinto-me a perder qualquer coisa. Parece que algo ficou para trás, ficou por viver, mas não sei o que é. Gostava de voltar atrás e descobrir, mas quanto mais penso nisso, mais me sinto a perder o presente que agora me dá tudo à descoberta!
Penso demais, sempre. 

Mãe, há vinte anos atrás aposto que não sabias o que aí vinha.
Surpresa! Agora alimenta-me.
Um grande dia para todas as mulheres, que amanhã é o dia de uma grande mulher.


Não me esquecerei dos meus dezanove anos, e do longo caminho daí aos vinte.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Passeios

Os bancos dos autocarros são lugares terríveis. Poucos são os sítios onde me senti como nestas viagens diárias. Não pela viagem em si, mas porque o tempo te obriga a pensar, a rever os teus erros e a vivê-los, de certa forma. O que acontece quando chegamos ao destino é que é como sair de uma meditação malévola, como se não estivéssemos preparados para sentir o ar fresco da noite e aquela bofetada de realidade que nos faz voltar a nós.

De repente, dou por mim a caminhar na borda do passeio, a passo lento, pé ante pé. Fecho os olhos e imagino um precipício à minha volta. Não tenho pressa, não tenho medo. Sinto-me a deixar-me cair, ainda de olhos fechados, e a cada passo sinto o fundo mais próximo. Desequilibro-me, abro os olhos. Não há nada, nada à minha volta.

domingo, 4 de março de 2012

Os dedos percorrem o teu corpo nu,
nu de conceitos ou fragilidade precoce.
E de olhos presos nos teus,
invoco o silêncio que nos conjuga.

O mundo? que mundo?
Sou tu, nós,
nada mais.
Só o calor da tua respiração.

As palavras conquistam mas não tanto.
Perdi noção de tudo, do que me trouxe aqui.

Perdido em ti.
Nos teus traços desenhados por uma inocência vaidosa, bela,
suplantando todos os meus paraísos imaginários,
num lugar onde apenas reina o pecado.

quinta-feira, 1 de março de 2012

e as horas passam
descubro que as curvas do tecto são as mesmas
as estrelas continuam a acompanhar a lua e o céu está mais negro do que nunca.

os dias, os meses, os anos.
As estações do ano despareceram e o Inverno foi a que ficou,
sempre atenta ao minimo raio de luz que despolatava por dentre as nuvens, sempre atenta a nós.

Acordar a cuspir sangue,
os pecados desta gente sem ética nem moral,
de gente falsa que me faz perder a fé no ser humano.

Eu sei, eu sei que ainda caminham por aí
mas sao poucos os que sentem como eu sinto,
a dor do mundo em três linhas sem rima.

A dor do mundo sem o amor de uma Primavera que prometera regressar..

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Olhas-me.
Matas-me.
Tiras-me o ar e pedes que mergulhe.
És o mal, um mal que sabe bem.
Faz pensar, fazes-me pensar.
E no vazio lá de fora perco-me por dias
até te voltar a ver, também tu,
perdida.

O tempo pára mas ninguém percebe.
És tu, eu e um espaço sem espaço,
nosso,
quando o tempo se diz interminável.

Nada mais quero conhecer para além do cheiro do teu pijama,
quando o sol dá lugar à lua
e tudo se resume a esta falta,
de espaço e tempo.

Não, não é, nunca vai ser.
A eternidade não seria suficiente,
amar é querer sempre mais,
até faltar o ar,
e a noite não voltar a ver a luz do dia.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quarto Crescente

Quem és tu?
Porque estás no meu caminho?

Há uma barreira entre nós, uma falésia
um vale de espinhos intransponível
Ainda assim ousas desafiar-me
levar-me insistentemente à frustração

Quem és tu ó demente de natureza
que nem sabe a diferença entre o sol e lua
entre o sentimento e a vontade escolhes deitar-me ao chão
cuspindo nós de incertezas e lágrimas secas de uma saudade muda

Quem és tu e porque ocupas a minha casa
o meu quarto, a minha cama, os meus lençóis
e ainda me olhas no espelho
como se não soubesses o que procuras
como se não o tivesses encontrado e deixado partir...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Vais pagar portagem?

Hoje vou-vos falar da crise. A crise económica é o início, um gatilho desbloqueado pronto a despoletar o tiro. A crise leva-nos a olhar a vida de uma forma tímida, envergonhada e conformista. Mas digo-vos mais, a crise está em saber que os sonhos se pagam caro e a estrada tem portagem. A crise está na mentalidade que surge no meio urbano e nos Homens sem sonhos. A crise é a falta de motivação causada pela privação de algo que se só se pode comprar. Tudo tem um preço. O amor de uma família, a raiva do injustiçado. Depressa a segurança do silêncio se torna nos berros de quem nos ama, na tentativa de corrigir um passado manchado por um falhanço que não foi nosso. Depressa reparamos que o sonho que escolhemos tem um preço demasiado alto e a crise, essa, instala-se, apodera-se e manipula como quer. A crise está nos corações desta gente, que deixaram de acreditar que o preço não é importante e que se não há estrada então constrói-se uma. Se me falarem em dinheiro digo que é o maior assassino de Homens, a primeira e a última causa desta estranha crise de saber aproveitar o dia de amanhã. A crise não é coisa nova, começou e vai ficar por cá. Só nos resta lutar e querer mudar para que, enfim, se possa dizer que o pior já passou e que nós, sonhadores, estejamos por cima e ao olhar para trás possamos ver o caminho percorrido, orgulhosos, cheios de nós.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Não existem despedidas

Arrependimentos são águas passadas,
conversas por dizer entre caminhos por escolher.

Já lá vai o tempo.
Já lá vai o que passou e o que não passou.
Ou então não.
Fala, nega!
Prova a maçã,
foge,
corre e segue o vento.

Arrependimentos são chamadas de loucura sã.
Um grito rebelde no meio de um mar de almas por nascer.

Nasce. Renasce.
Morre para viver.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Pautas de viagem

E se o sol falasse?
palavras de calor e conforto
fonte de verdade e luz
tal a beleza que nos seduz

E se a lua te dissesse?
As vezes que tremi por dentro
Ao som do bater do coração
Não me dás nenhuma chance
A não ser mudar as notas da canção.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Meados de Janeiro

Encerra o passado
desta forma de estado
Já é mais do que solidão
Mais um pouco, era prisão

e se ainda duvidas
pára para pensar
dias por vidas
e vidas por amar
já era tempo de acordar

Encerras-te no teu interior
imaginas o que não tento
só de te ver, o tormento
chuvas de amargo dissabor

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Desencontros

Somos duas almas reflectidas num fundo negro. Nunca escrevi sobre ti, é curioso, apesar de seres o espelho daquilo que gostaria de ver quando cruzo o olhar com o horizonte. Sabes bem que isso não chega, por muito que eu quisesse. Não passa disso mesmo, um reflexo, um vislumbre, uma esperança retida nas nuvens que tapam o pôr do sol. Mas nada importa, está tudo bem assim.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Da m,:

"valter, y u no fall in love with the right girls?"

É uma cena minha.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Inverno

Sinto-me sem direito a nada, percorro-me a tempo inteiro e não me encontro, talvez efeitos secundários do mistério que é viver. Chego, levanto a música, esqueço-me por instantes. A única anestesia que o Universo nos deixou, na minha opinião. O resto é efémero, tudo o é e será. Não levantes o lençol, está frio lá fora. Tenho medo de sair à rua.

Ssshhhh...
Acorda...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

God Grew Tired of Us




"I feel like shit, i feel greed, i feel egoism, I can't say how i feel, i'm so selfish, These guys had nothing, only pain. no food, no water. jeez. we're nothing! these guys... i don't believe in god, but now i believe in people. I use to say that i hate people, but damn; these are the real human beings. They are big, so big that god is like an ant at their feet. So watch this, show it to  your friends, your familly, and do something about it. Who are we anyway? Make your life worthwhile." - O meu comentário ao trailer, no youtube.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

[...] Beauty

Sentas-te, esperas, colhes
Carregas a esperança, escondida
as desilusões bem perto das memórias
o amor, esquecido, na palma das mãos

Sentas-te, olhas-me, julgas
"Não há nada pior que ser comum"
Quem espera nem sempre alcança.
É só a ideia de ser mais um.

Sorri-te a vida, maliciosa.
Por ironia, vá se lá saber
Sonhos que um dia esqueceste,
Tal o dia que te roubou o ser.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Porque me escondes o mundo debaixo do tapete?

Prendes-me com esse sorriso falso
passo a passo, caminhando em direcção a ti
descalço

Prendes-me com o medo
não posso olhar para trás
Prometes-me um segredo

E exiges tudo!
Dizes "Acredita",
tirando-me a fé
Dizes "Ama",
mas apagas a chama

Recluso da minha própria alma,
é assim que me sinto.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Ruins

Why make us feel?
Tearing hearts appart
Believing that it's real
Watching love becoming fear

A long time ago
An illusion came to me
Early it was too late
Watched love becoming hate

Sadly you look inside yourself
Remembering times you were not alone
Funny thoughts indeed
Watching love becoming greed

So you're the one
The smile i was searching for
It feels like a dope
Watching love becoming hope

Here we are now
Gathering all the pieces
If your heart fell appart
Hold my hand and stay
Watch love becoming art

domingo, 15 de janeiro de 2012

Estranhos

"Acima de tudo, humilde e cruelmente realista, consegues tocar-me com toda a energia das tuas pequenas revoltas pessoais, com todas as razões e vivências que as acompanham. aos meus olhos, isso muda completamente a maneira como te vejo. sabe-lo bem. tens aquele trejeito, um requinte de malvadez que aumenta exponencialmente acompanhando a tua imaginação e não duvido que isso te faça voar até bastante longe. tens quedas a pique e momentos de loucura que só provam que és muito mais coração do que aguentas; arriscar-me-ia a dizer que tens muito mais coração do que qualquer um aguenta, mesmo... e isso é mais uma das coisas que me faz querer manter-me por perto. no fundo, compreendemo-nos e isso acaba por ser importante, tanto para mim como para ti. consegues confundir-te sempre mais com todos os teus pensamentos e reflexões mirabolantes e depois suprimir tudo isso, como quem apaga um cigarro esmagando-o com o sapato. no fundo, és bem mais forte do que tu pensas, porque tu nunca navegaste, mas já andaste a boiar pelas ondas sem saber muito bem para onde ir, aguentaste a volta da maré, sem cair, sem fraquejar. mascaras-te com alegrias efémeras mesmo nos dias cinzentos e continuas a andar quando o cansaço te parte as pernas; nem vou falar em armadilhas. tens o discernimento para fazer tudo o que desejas sem pensar nas consequências, és teimoso e não permites que nuvem nenhuma te tolde o raciocínio. procuras a lógica por trás das coisas, mas já te apercebeste de que é impossível. odeias pessoas. gostas da noite, amas a música. não o tenho por certo, mas julgo que aprecias a teatralidade subtil por trás de algumas acções e tens o bicho do observador. és capaz de enfardar quantidades insuportáveis de milka. amas os teus com quanto tens e muitas vezes sentes que são tudo. deixas-te levar pelo que mais te cativa; contudo, sabes parar, embora nem sempre isso seja o suficiente. magoas-te. levantas-te, ferido e continuas. chama-se coragem. tens todos os sonhos do mundo compreendidos entre caracóis e palavras esquisitas e um humor de cão. should I give up or should I just keep chasing pavements? és o meu estranho favorito ."

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Repito

Fiz bem,
fiz mal,
para mim é tudo igual.

Se soubesse o que ando a fazer
fazia um universo de todo o meu querer

Mas isso não chega:
Especulações,
Partem corações.

Fiz bem,
fiz mal,
vim parar a um mundo igual.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Jazz

Doces notas
levem o que sinto
prejudicial ao mundo
enterro-me bem fundo

A quem encontrar o que escrevo
não faça como eu
quem amou assim
deu o mundo e perdeu

A vida é fodida
como uma canção perdida
para quem não ouviu
é só uma peça ardida

Para sempre,
Serás o sempre.