domingo, 24 de fevereiro de 2013

Gostava de escrever sobre aquele olhar
quase me fez esquecer de onde estava e do que fazia. 

Gostava de dizer que fixei a cara, 
os olhos, 
o sorriso, 
o andar. 

Não posso. 

Apenas me lembro do vestido preto
De sentir que todos os meus órgãos internos se encolheram quando saíste, 
como se estivesse a ser engolido por mim próprio
ao ponto de querer parar o tempo para tentar perceber algo que não pode ser explicado. 

Acho que agora,
só gostava de saber quem és.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Encontro-me quando já não sei quem sou
Não sou real.

E a água da torneira gela-me as mãos quando as lavo
Não sinto
Não quero

As temperaturas baixam no quarto onde durmo
É como se o tempo não quisesse passar
e ainda assim não me dar o tempo que o tempo quer e precisa.

Não sinto
Não quero


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

As paredes do meu quarto não gostam de mim



A luz do candeeiro recusa-se a acender.
Levanto-me procuro o interruptor perto da porta.

Não há porta.

As paredes são lisas,
                                escuras,
                                             frias.

As janelas são agora tijolo coberto de cimento e tinta branca.

Pelo menos a sua textura assemelha-se ao resto dos quatro limites que me mantêm dentro do quarto.
Não vejo nada mas quero sair, seja para onde for.

Quero sair.
Fugir.
Seja para onde for.
Seja com quem for.
Seja como for.

Só quero destruir estas paredes que me prendem dentro de mim e cuspir no mundo este ardor interior.

Só quero ser.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sobre a Ânsia de Continuar




Os teus pés descalços estão tão frios que não sentem o chão molhado.


Não sabes de onde vieste nem para onde vais...



A sombra engole os teus passos.



Sentes o frio a aproximar-se dos teus joelhos.










Não tarda sentirás o sabor da água que te banha os pés nus.

domingo, 25 de novembro de 2012

E é desta forma que expresso a minha revolta quase interior, quase física, quase intelectual, no meio de toda esta pseudo-filosofia barata. Não me considero escritor. Não me considero poeta. Não me considero sequer digno de incutir qualquer opinião nas mentes dos inocentes leitores deste texto horrível. A verdade é que não a sei. Frase usada por mim exageradamente em todo o contexto que mexe. O mundo revela em mim uma tristeza quase muda. Primeiro descarrega uma quantidade um tanto ou quanto absurda de princípios que somos obrigados a seguir, mesmo involuntariamente. Princípios que serão violados à medida que a idade avança. A pouco e pouco, vamos descobrindo que, afinal, não são todos iguais! Aquilo que consideramos verdade não o é para toda a gente. Vejo mulheres de cabeça tapada na televisão e acho incompreensível tal tradição. Mais uma vez, a verdade e o que é certo ou errado é diferente de pessoa para pessoa e não há volta a dar.  Vai dos pequenos ao grandes pormenores, de pessoa única à pessoa com um todo, uma sociedade. E somos todos loucos porque seguimos um louco que julga ter razão. Somos loucos porque seguimos sozinhos o que acreditamos ser o mais certo. Somos loucos por viver ou deixar de viver. Eu sou um louco indignado, talvez confuso. Mas a verdade anda por aí às voltas, eventualmente, acabamos todos por descobrir que o mundo não é um mar de rosas e que não temos que seguir ninguém. A verdade é que não a sei. É tudo tão mais indistinto na cama de um quarto vazio.

sábado, 3 de novembro de 2012

Somos todos especiais, não somos? Nas nossas camas, nos nossos quartos, no banho, nas notas de uma música que nos hipnotiza. "Somos todos filósofos", li eu num sítio qualquer numa página qualquer na internet. E à luz das velas saem as palavras que nos prometem ser únicos e nos fazem o centro do Universo. "Pensa por ti", "não sigas os exemplos dos outros", "Pensa sempre em ti primeiro". O altruísmo não existe. Nem sequer o conhecimento é honesto. Os professores ensinam o que outros lhes ensinaram há algum tempo atrás. O "conhecimento" é hereditário e segue as gerações desde o tempo em que não havia conhecimento. Por isso é que pedir a verdade por uma única vez que seja já me parece demasiado.

Até a luz me parece uma grande mentira para nos impedir de saber que lá fora apenas há escuridão.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O rapaz e os espelhos

Não.. Pára!
O corpo geme no espaço entre a cama e a parede.
E vai subindo a garganta tal verme que se alimenta de carne.
Os joelhos encostados ao queixo.
Os olhos fechados como se alguém os pudesse tentar abrir à força a qualquer momento.
Os dentes cravados num cinto qualquer tirado de uma gaveta empoeirada.
Leva-o...
Leva-o e não voltes.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O ar entra mas parece não descer a garganta. Procuro uma razão para que a manhã chegue depressa, não encontro. Passo os dias a desejar os prolongar das horas para não me sentir a acordar no mesmo quarto de sempre, na mesma cama de sempre, com o mesmo sentimento de sempre. Noite, não acabes, não faças as horas passar como se segundos se tratassem. Não gosto da cor dos meus lençóis. São tecidos num tom escuro de branco que dificulta a respiração, se calhar é por isso que me custa adormecer. Preso num nó conjugado pelo tempo e pelos olhos de alguém magoado, ficou lá atrás, adormecido, quem sabe nos mesmos lençóis que na altura tingiam uma cor diferente.

Preso num nó conjugado pelo tempo e pelos olhos de alguém magoado, ficou lá atrás, adormecido, quem sabe talvez mais do que isso...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

É só mais um dia
Não vale a pena todo este pensar
toda esta agonia
De querer tanto que dói
lutar e por mais que tente
não há quem aguente.

E quando o sol se põe
Mais uma noite que nos espera
sem um abraço,
sem o teu corpo quente

Se a manhã assim o quiser
não haverá nevoeiro
nem sequer uma nuvem
e haverá alguém
que esteja sozinho também.

O seu abraço será forte.
E nada mais importa.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Prematura


Os meu dias não são feitos de segundos e minutos. O meu planeta não gira em torno de si mesmo e nem o sol se vê a pairar no céu. As estrelas não formam figuras estranhas e não se confundem com pirilampos presos por fios invisíveis. O meu mundo não tem árvores verdes e não há ninguém para regar a relva por nascer. Na minha casa não há divisões e nem sequer eu vivo nela. O meu carro não serve para andar nas estradas que não foram construídas. Não há guerra e não há paz. A verdade e a mentira não fazem sentido. O amor morreu faz demasiado tempo.

Pesasse o vazio do coração tanto como o vazio da mente e não estaria eu enterrado nas areias de um mundo onde nem sequer eu existo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Há noites em que não há mais nada a fazer. Deitas-te na cama pensativo, abres o computador e espreitas as novidades dos teus amigos no facebook. Vês as festas e as fotos de pessoas felizes nos seus grupos. Não acredito que isso transmita o seu verdadeiro estado de alma. Quem me dera que as fotografias nos sugassem a alma como alguns mitos dizem. Queria ver o verdadeiro eu. Espelhos, esses sim, mostram as lágrimas de noites inacabadas e caras por lavar. E não vale a pena continuar a pensar. Isso é insistir no teu fim e num caminho mais próximo de espelhos que de máquinas fotográficas. E eu quero a verdade, toda a verdade, mesmo que ela doa. Fico dividido. Fico perdido entre a janela e a cama. Encosto-me à parede. Apoio-me nos olhos cobertos pelas palmas das mãos. Inspiro. Deito-me. Não há mais nada a fazer. Preciso da verdade e de alguém que me leve para longe dela, só não me deixem no limbo, onde deixa de haver luz e o vento não chega. Há noites assim, em que só nos resta ir dormir e esperar que os sonhos não sejam memórias distorcidas pelo desejo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nascer do sol a altas horas da noite

Os primeiros raios de luz trazem sabor a água salgada
Mas já o tempo levou todo o sal por sentir
E era eu a ser olhado por estranhos
Só vêem para fora
Ignoram o que há por dentro.

E no meu toque fica tanto por dizer
Não me deixam explicar
Não querem saber.

Queria eu ser um louco.
Não é vida mas assim o é
Quando dás por ti
Já nadas em águas sem pé.

Deixa os teus lábios aproximarem-se do meu ouvido.
Dá-me só uma razão para não deixar a lua morrer.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Levanta-se o medo, baixas a mão. A minha pressa deixou de o ser. Ainda o tempo não tinha passado para eu saber que já não queria mais. Não sou eu que mando e a minha vontade não é satisfeita de forma proporcional às minhas necessidades. Quero fugir. Não sei bem do quê nem para onde. É algo que já dura há demasiado e com o qual não me consigo debater. É intrínseco em mim, uma batalha que já perdi sem sequer começar. As horas, o tempo... Que se foda o tempo! Não me conheço e já não sei se acredito nas minhas palavras. Fosse eu a areia da ampulheta que te conta os dias.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Aí vem a raiva,
Queres esconder a cara com os punhos fechados.
Não vês nada para frente e vês tudo para trás.
O passado a querer furar, matar.
Quer dar-te um motivo,
Seja ele qual for.
E depois vem a calma,
Pequenas lágrimas do que um dia foi.
Dás voltas na cama, dói,
E elas são o teu único alívio. 
É só o passar de mais uma noite.
O renascer é lento.
O dia vem e invade o teu quarto,
E tu só queres é fechar os olhos.

domingo, 15 de julho de 2012

Constelações de Vidro

É simples. É complicado. Seja o que for, é sempre com o sabor a uma cama vazia. É no escuro que tudo se vê e nada acontece. Já alguém dizia que outro alguém não sabe estar sozinho. A verdade é que ninguém sabe, e quando chega a noite todos se agarram à almofada que se revela tão desconfortável como um chão de pedra dura e fria. Ainda me lembro da música ser cura mas agora já não sei se alivia ou se faz doer ainda mais.E já era eu sonho quando abro os olhos e vejo que o sol já cruzou o horizonte mais uma vez.
Fossem minhas as estrelas e podia ser feliz.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Às vezes gostava de ser nuvem

Não sabes. Olhas para o tecto durante mais uns minutos. Tudo igual. Existe algo de inquietante que não te deixa dormir. Não sabes bem o que é mas sabes que a saudade torna tudo pior quando se está longe e tudo melhor quando se está perto. Já os ponteiros das horas e dos minutos se sobrepõem outra vez e tu ainda não fechaste os olhos. Lês mais meia dúzia de páginas, apagas a luz e voltas a olhar o tecto. Não vês nada porque apagaste a luz mas vês o mesmo do que se ela estivesse acesa. Aceitas o facto de que dormir, hoje, não vai ser tarefa fácil e de que amanhã tens um dia longo que, provavelmente, só acaba no outro. Acendes a luz mais uma vez. Não sabes, não sentes, não vês e isso faz um pouco de ti morrer. Dói-te o coração. Amanhã vai doer menos porque esta noite já passou e não volta. Só queres ver o tempo voar.
Mais uma noite.
Paciência.

Abraço a almofada no vermelho da minha cama.
Porque há-de passar o tempo ou tão depressa ou tão devagar?

terça-feira, 3 de julho de 2012

Gumes afiados cortam mais fundo,
não há sangue...

Encontrei um lugar gélido no quarto onde habito.
A pulsação sobe mas o coração estagna.
Quieto, geme.

Sobe-me à boca enquanto me cai aos pés.
Se ao menos a loucura não fosse passageira.